A evolução do mercado mudou a maneira como nos comunicamos, compramos, vendemos e trabalhamos. Do comércio eletrônico ao home office, são muitas as transformações no comportamento e na carreira. Uma evolução inquestionável aconteceu na rotina profissional do gerente de facilities.

Esse personagem, anteriormente com funções táticas, vem sendo alçado à área estratégica das organizações. Hoje, ele é responsável não apenas pelo ambiente físico de trabalho, mas também por comunicações, marketing, logística e estratégia em edificações.

O trabalho do gerente de facilities, portanto, é interdisciplinar e exige conhecimentos em gestão, Certificação ISO, responsabilidade fiscal e trabalhista, além de dominar diversas outras áreas.

O mercado europeu, sensível a essa realidade, conta com um mundialmente renomado centro de conhecimento, o BIFM (British Institute of Facilities Management), que oferece qualificação e treinamentos e promove networking entre os profissionais atuantes com vocação para a área.

Neste post você encontrará opções para especialização em Facilities, um guia das principais instituições e grade curricular, carga horária e particularidades dos cursos que poderão impulsionar sua carreira, gerando reconhecimento e trazendo maior realização profissional. Acompanhe!

O que é ser um gerente de facilities?

O gerente de facilities, ou facilidades, é o profissional responsável pelas áreas de administração, estrutura e operações de uma empresa, podendo ser um hospital, um condomínio, um edifício ou um shopping center. Dessa forma, ele gerencia todas as operações de BackOffice e de infraestrutura de um empreendimento, contribuindo para o bom funcionamento da companhia.

Entre os principais serviços gerenciados por ele, estão:

  • limpeza e conservação;

  • manutenção de áreas verdes;

  • portaria;

  • desinfecção hospitalar;

  • apoio administrativo;

  • gerenciamento da relação com fornecedores e prestadores de serviços;

  • coleta de lixo;

  • infraestrutura e tecnologia para serviços de telecomunicação;

  • controle de pragas;

  • segurança;

  • logística.

O objetivo é garantir que esses serviços estejam sempre disponíveis, com o maior grau de qualidade possível. Assim, a empresa consegue focar seus esforços em seu core business, deixando a gestão dessas tarefas nas mãos de um profissional especializado.

A ideia dos facilities foi importada dos Estados Unidos, no entanto, assumiu uma forma diferenciada aqui no Brasil. Ao passo que, entre os americanos, o facility geralmente se restringe a serviços de manutenção, limpeza e outros similares, aqui, o setor foi ampliado para outras atividades, como rotinas administrativas e logísticas, potencializando seu papel estratégico.

Algumas empresas brasileiras empregam os serviços de facilities tão profundamente que praticamente deixaram todos as atividades de BackOffice nas mãos de empresas parceiras.

Apesar da grande aplicabilidade, o gerente de facilities atua, principalmente, em edifícios corporativos — local onde, muitas vezes, são encontrados profissionais que assumem suas atribuições, como gerente de manutenção, de obras, de administração, de suprimentos etc. No entanto, algumas empresas já centralizaram no gerente de facilidades as responsabilidades sobre essas diversas tarefas.

Segundo a Associação Brasileira de Facilities (ABRAFAC), a contratação desses serviços pode trazer uma economia de até 20% para a empresa. Em 2016, o setor já movimentou cerca de R$ 100 bilhões — uma evidência clara da sua boa absorção no mercado e do quão promissora é essa profissão.

Essa área utiliza tecnologias que facilitam a gestão e otimizam a produtividade. Além disso, o gestor conta com parceiros para o fornecimento de serviços terceirizados. O gerente é quem vai guiar todas essas atividades realizadas na empresa ou na unidade que está sob sua supervisão.

Mas quem está apto a cumprir essas funções? O que se espera desse profissional? Confira!

Qual o perfil de quem trabalha na profissão?

O requisito básico é ter fluência na língua inglesa e formação em nível superior. A área acadêmica é eminentemente engenharia, mas formandos de outros cursos também podem se especializar no setor, que exige uma atuação multidisciplinar e abrange outros conhecimentos, como administração de empresas, direito, arquitetura, tecnologias da informação e comunicação, mercado imobiliário, manutenção de equipamentos e infraestrutura de edifícios.

É importante também que esse profissional tenha facilidades com números. Afinal, precisa trabalhar lado a lado com indicadores de desempenho definidos pela empresa, pois esses índices serão a base para determinar o quanto o seu trabalho está atingindo as expectativas do negócio.

Além de conhecimentos técnicos, o gerente de facilities precisa ter habilidades para se relacionar com pessoas, uma vez que ele gerencia várias equipes de profissionais e interage com colaboradores de diversos níveis hierárquicos dentro da empresa.

Vale ressaltar que atuar em uma carreira que transita da área de suporte para a atuação como protagonista e gerador de resultados requer também algumas habilidades emocionais, tais como resiliência, persistência e administração de conflitos.

Qual a perspectiva salarial?

Segundo uma pesquisa realizada pela Robert Half Brazil, o salário de um gerente de facilities pode variar entre R$ 7.500 e R$ 16.000, dependendo do porte da empresa, da experiência, da formação do profissional e também da localização geográfica do negócio. Já de acordo com o PayScale, nos Estados Unidos, o mesmo profissional arrecada em média U$ 64,073 por ano (cerca de U$ 5.300 por mês).

Quais as vantagens da contratação de um gerente de facilities?

A contração de um gerente de facilidades traz grandes vantagens à empresa. Ao designar um profissional para administrar tarefas que não são as atividades-fim do negócio — como limpeza, segurança e recepção — a organização economiza tempo e recursos.

Apesar de não serem atividades do core business, esses serviços são fundamentais para o funcionamento da companhia e podem afetar a imagem da empresa. Sendo assim, quando realizadas com qualidade, são tarefas que melhoram os resultados do negócio.

Quais são os principais desafios da profissão?

Junto com uma carreira promissora, vêm também os diversos desafios que fazem parte do dia a dia desse profissional, como:

  • redução de custos: o gerente de facilities constantemente sofre pressão por parte da gerência para diminuir as despesas e utilizar os recursos da melhor forma, o que exige um bom controle financeiro e uma visão estratégica apurada;

  • compliance: existe uma legislação que rege cada área de facilities, e o profissional do setor precisa dominar todas essas normas e leis;

  • padronização das equipes de contratados: o gerente de facilidade pode lidar com diversos profissionais terceirizados, com níveis  diversos de habilidade, competência e experiência, exigindo o alinhamento da prestação de serviços com as expectativas da empresa;

  • gerenciamento de contratos e demandas: a gestão de facilities engloba diversas áreas com características e necessidades muito próprias, tornando-se um desafio para o gestor administrar contratos e atividades.

Diante desses obstáculos, veja como a especialização pode contribuir para a eficiência desse profissional.

Por que é importante o profissional se especializar?

A atuação do gerente de facilidades é bem ampla, abrangendo diversas áreas de conhecimento. Por isso, cada vez mais, as empresas exigem uma formação mais aprofundada no setor — já que esse profissional tem assumido uma posição mais estratégica nas organizações.

Não é por nada que a especialização tem se tornado um grande diferencial no mercado, pois contribui para que o gerente desenvolva habilidades e conhecimentos necessários para uma gestão mais eficiente e alinhada aos objetivos do negócio.

Por meio de um MBA, por exemplo, o pós-graduando conhecerá as principais ferramentas que o ajudarão a gerenciar e realizar manutenções. O curso apresenta ferramentas para fazer manutenções técnicas de instalações e equipamentos e gerenciar riscos, sistemas de telecomunicações, operações de segurança, limpeza, paisagismo e outros serviços de apoio, como recepção, copa e expedição.

Hoje, espera-se que os recursos e os ativos de um negócio sejam utilizados com maior eficiência. Isso demanda mais competência e capacitação do gerente de facilidades, tornando a especialização ainda mais importante.

Quais são as melhores opções para especialização em Facilities?

Tendo em vista o impacto positivo do gerente de facilities para as organizações, separamos 5 opções de especializações de destaque, tanto no Brasil quanto no exterior.

1. Gerenciamento de facilidades (USP)

Com carga horária de 384 horas, esse MBA presencial oferecido pela USP busca o alinhamento de toda a infraestrutura com as estratégias do negócio, fazendo com que os setores operacional, tático e estratégico entendam e persigam os mesmos objetivos.

Uma análise completa — desde o subsolo até a cobertura — passando pelos membros desse organismo corporativo carente de comunicação eficaz e transparente, permite compreender e alinhar as expectativas dos diversos escalões da organização, transformando-os em metas comuns, e, portanto, mais praticáveis.

O curso trata de “patologias” das edificações, em paralelo com gerenciamento de riscos e crises. Esses tópicos quase se confundem, pois, alguns momentos de risco e crise são, na verdade, efeitos de sintomas não percebidos pela organização.

É função do profissional de facilities ampliar a visão e conhecimento da “anatomia” da estrutura predial, com o objetivo de não apenas agir efetivamente em contingências, mas também de preveni-las.

Confira algumas disciplinas da grade curricular:

  • Alinhamento da infraestrutura com as estratégias do negócio;

  • Planejamento e estratégia em gerenciamento de facilidades;

  • Tecnologias e patologias das edificações;

  • Inovações tecnológicas em sistemas prediais;

  • Gerenciamento de riscos e crises;

  • Logística empresarial e cadeia de suprimentos;

  • Canais de distribuição;

  • Qualidade e produtividade em sistemas logísticos;

  • Logística reversa.

O curso amplia a visão estratégica do profissional e o habilita para promover um senso de comunidade no corpo gerencial, demonstrando necessidades e objetivos comuns, como o alcance de melhores resultados com menores custos.

2. Gestão de infraestrutura e facilities (UVA)

Com um apelo para a integração entre diversas áreas da organização, esse MBA oferecido pela UVA atende a um dos maiores desejos dos diretores da companhia: a redução de custos em logística integrada, suprimentos, segurança corporativa e de tecnologia da informação.

Em edifícios cada dia mais tecnológicos, a integração permite aprimorar o entendimento entre essas áreas e aplicar o design thinking, que consiste na observação e construção de processos para o desenvolvimento de projetos comuns com maiores chances de êxito.

Algumas matérias do curso são:

  • Visão integrada das diversas áreas da organização;

  • Análise de cenários econômicos;

  • Comunicação e negociação estratégica;

  • Ética e segurança da informação;

  • Design thinking;

  • Projetos e estratégias corporativas;

  • Gestão de KPI (indicadores de performance) em facilities;

  • Logística e suprimentos para facilities.

O MBA é presencial, com carga horária de 430 horas em 18 meses. Ao final, o especialista poderá contribuir com uma visão abrangente sobre os detalhes e as necessidades estruturais da companhia, estando apto a desenvolver e acompanhar diversos indicadores de performance.

3. Gestão de infraestrutura predial e industrial (AVM)

Opção oferecida pela AVM — Faculdade Integrada, esse MBA une a gestão de competências — como TI, assessoria de imprensa, logística e finanças — a um novo modelo de comunicação empresarial.

A intenção é permitir que todas as áreas se comuniquem, evitando ruídos e aperfeiçoando a gestão individual e conjunta. Essa iniciativa facilita a gestão em altos escalões, pois dá maior fluência aos processos corporativos e às tomadas de decisão.

Os tópicos abordados no curso envolvem:

  • Finanças aplicadas ao gerenciamento de facilities;

  • Projetos e estratégia;

  • Qualidade e indicadores de performance;

  • Gestão de competências;

  • Logística aplicada;

  • Gestão integrada de manutenção, limpeza e resíduos;

  • Emergências e continuidade de negócios;

  • Tecnologia da informação aplicada a facilities;

  • RFQ/RFI, ética e segurança patrimonial;

  • Marketing, assessoria de imprensa e comunicação.

O gerente de edificações deve se ajustar ao mercado, oferecendo agilidade e fluidez nos processos de sua organização, com o conhecimento aplicado que é a melhor ferramenta de transformação.

4. MBA em gestão de facilities — SENAI

Durante os 18 meses de duração do curso de MBA oferecido pelo SENAI, o profissional tem a oportunidade de se especializar de forma abrangente, contemplando atuação de terceiros, compreensão de documentação de projetos, operações e logística.

A grade proposta pelo curso contribui para ampliar o conhecimento do gestor, oferecendo a oportunidade de associar o conhecimento técnico à experiência adquirida ao longo da atuação na área. Entre as matérias estudadas, encontram-se:

  • Gestão de infraestrutura predial;

  • Gestão aplicada à manutenção;

  • Gestão de projetos;

  • Manutenção eletrônica;

  • Gestão aplicada a documentos;

  • Gestão de pessoas;

  • Gestão de operações e logística;

  • Manutenção elétrica e SPDA;

  • Gestão de terceiros.

5. BIFM (British Institute of Facilities Management)

No mercado europeu,  a exigência de contratos de acordo de serviço (SLA) de alto nível motivou a criação de diversos centros de conhecimento voltados para o estudo e para o aprimoramento da gestão de facilities.

O BIFM se destaca ao oferecer diferentes níveis de qualificação, atendendo desde profissionais em formação, que estão em busca da primeira graduação (nível 1), até aqueles mais graduados, empenhados em aprimorar competências e se especializar na carreira (nível 7).

Organizações na Europa perceberam a ausência de algumas habilidades específicas nos profissionais de facilities, o que motivou o BIFM a fragmentar sua qualificação, em especial para os níveis mais altos de exigência.

Essa particularidade permite apresentar soluções mais direcionadas. Entretanto, exige do profissional um planejamento de carreira bastante específico.

Avaliar qual a melhor prestadora de serviços, verificar certificações e portfólio, determinar níveis de SLA específicos para o tipo de serviço e ainda compreender sua cultura e responsabilidade fiscal e social trazem um peso sobre o gerente de facilities, cuja análise deve ser rápida e eficaz.

Além do alinhamento em diversas áreas da organização, esse profissional precisa adequar o contingente de terceiros à cultura e aos objetivos da empresa.

Escolher uma boa empresa de facilities é uma tarefa importante que requer alguns cuidados, pois a contratante também pode ser responsabilizada por erros da terceirizada. Seus parceiros, portanto, devem seguir as mesmas boas práticas valorizadas por sua organização.

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